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Os golpes em condomínios estão cada vez mais sofisticados. O seu condomínio está preparado?

há 13 minutos
4 min de leitura

Por Karine Prisco


Durante muitos anos, quando se falava em segurança condominial, imaginava-se alguém pulando um muro ou arrombando um portão. Hoje, essa realidade mudou.

Cada vez mais, os criminosos preferem entrar pela porta da frente.



Eles estudam a rotina do condomínio, observam o comportamento dos porteiros, pesquisam informações nas redes sociais e utilizam técnicas de persuasão para conquistar a confiança das pessoas. Muitas vezes, entram sem precisar quebrar um cadeado sequer.

O que muda não é apenas o tipo de golpe, mas a forma de agir.


O criminoso não parece um criminoso

Uma característica comum entre os golpes atuais é justamente a aparência de normalidade.

Não espere encontrar alguém vestido de forma suspeita.


Na maioria das vezes, trata-se de pessoas bem vestidas, educadas, falando com segurança e apresentando uma história convincente.


Elas conhecem nomes, endereços, empresas prestadoras de serviço, horários de funcionamento e, em alguns casos, até informações públicas sobre processos judiciais ou moradores do condomínio.


Quanto mais informações possuem, mais convincente se torna a fraude.

A engenharia social é a principal arma


Praticamente todos os golpes apresentados nesta série utilizam engenharia social, ou seja, técnicas para convencer alguém a tomar uma decisão errada.


Os criminosos exploram situações como:

  • pressa; 

  • sensação de urgência; 

  • autoridade; 

  • intimidação; 

  • excesso de confiança; 

  • vontade de ajudar. 


Quando isso acontece, o procedimento de segurança acaba sendo deixado de lado.

E é exatamente esse o objetivo do golpista.


Os golpes mais comuns

Nesta série apresentamos alguns dos golpes mais utilizados contra condomínios. Embora cada um tenha características próprias, todos têm o mesmo objetivo: explorar falhas humanas para obter acesso ao condomínio, coletar informações ou aplicar golpes financeiros.


Conheça os principais.


Golpe do Falso Morador

É um dos golpes mais antigos e ainda um dos mais utilizados.

O criminoso chega ao condomínio dizendo que mora no prédio, mas esqueceu as chaves, perdeu o controle de acesso ou está sem documentos.



Normalmente está bem vestido, demonstra tranquilidade e procura transmitir confiança. Em alguns casos, conhece nomes de moradores, funcionários ou detalhes do condomínio para tornar a história mais convincente.


Também é comum alegar que está atrasado, carregando compras ou passando por alguma emergência, tentando fazer com que o porteiro flexibilize os procedimentos de segurança.


Como evitar: Nunca liberar o acesso sem seguir os procedimentos de identificação adotados pelo condomínio.



Golpe do Falso Visitante

Nesse golpe, o criminoso afirma estar indo visitar um morador.

Pode dizer que foi convidado para um almoço, reunião ou comemoração. Quando questionado, normalmente informa que o morador já sabe da visita ou que esqueceu o celular.



Se encontra resistência, passa a insistir, utiliza simpatia ou até tenta intimidar o porteiro para conseguir a liberação do acesso.


Como evitar: Toda visita deve ser confirmada com o morador antes da liberação.



Golpe do Falso Prestador de Serviços

O criminoso se apresenta como funcionário de uma empresa terceirizada.

Pode alegar manutenção dos elevadores, internet, telefonia, dedetização, limpeza, jardinagem ou qualquer outro serviço rotineiro.

Para aumentar sua credibilidade, costuma utilizar uniforme, crachá e ordens de serviço falsificados.



Como evitar: Nenhum prestador deve entrar sem autorização prévia da administração, do síndico ou do morador responsável.



Golpe do Falso Técnico

Semelhante ao golpe anterior, porém normalmente envolve concessionárias ou serviços considerados urgentes.

O criminoso informa que precisa realizar uma vistoria na rede elétrica, no gás, na água ou na internet e utiliza a urgência para impedir que as informações sejam conferidas.



Como evitar: Confirmar sempre a visita diretamente com a empresa responsável antes de liberar o acesso.



Golpe do Falso Crachá

Nesse golpe, o criminoso confecciona crachás muito parecidos com os utilizados por empresas conhecidas.

Em muitos casos, utiliza até o nome de empresas que realmente prestam serviços ao condomínio.

O objetivo é transmitir confiança e fazer com que a equipe da portaria deixe de conferir a autorização da entrada.



Como evitar: Uniforme e crachá nunca substituem a autorização do condomínio.



Golpe do Falso Síndico

Esse golpe normalmente ocorre por telefone, WhatsApp ou e-mail.

O criminoso utiliza a foto do síndico, um número semelhante ao verdadeiro ou até clona seu perfil.


Depois informa que houve um problema no sistema da administradora e solicita que o pagamento da taxa condominial seja realizado por PIX ou para uma nova conta bancária.

Também pode pedir documentos, dados bancários ou outras informações sigilosas.



Como evitar: O condomínio nunca altera sua forma de cobrança sem comunicação oficial da administradora. Antes de qualquer pagamento, confirme diretamente pelos canais oficiais.



Golpe do Falso Advogado

É uma fraude que cresceu muito nos últimos anos.

Os criminosos entram em contato afirmando representar o escritório responsável por determinado processo.


O mais preocupante é que frequentemente conhecem informações verdadeiras, como número do processo, nomes das partes, valores discutidos e movimentações processuais, obtidas em consultas públicas.


Com essas informações, tentam convencer a vítima a realizar pagamentos imediatos de custas, honorários ou acordos judiciais.



Como evitar: Nunca realize qualquer pagamento sem confirmar diretamente com o advogado contratado ou com o escritório pelos canais oficiais.



Golpe do Falso Comprador


Um dos golpes menos conhecidos e também um dos mais perigosos.

O criminoso agenda uma visita para conhecer um apartamento à venda, geralmente acompanhado de um corretor.


Durante a visita, observa câmeras, acessos, elevadores, rotinas da portaria, horários e vulnerabilidades do condomínio.



Em muitos casos, comparece acompanhado de um ou mais comparsas.


Enquanto o grupo realiza a visita, um deles se afasta alegando que vai ao banheiro, atender uma ligação ou resolver outro assunto. Porém, ele não deixa o condomínio. Permanece escondido nas áreas comuns, circulando pelo prédio até encontrar uma oportunidade para invadir apartamentos ou facilitar a entrada de outros criminosos.


Por isso, a portaria deve controlar não apenas quantas pessoas entram, mas também quantas efetivamente saem do condomínio. O número de pessoas que deixam o prédio deve ser exatamente o mesmo das que entraram.


Outra medida importante é evitar placas de "Vende-se" ou "Aluga-se" na fachada do condomínio, reduzindo a exposição do edifício e dificultando esse tipo de ação criminosa.



Segurança começa com procedimentos

Os criminosos mudam constantemente suas estratégias, mas existe algo que continua sendo a principal ferramenta de proteção: o cumprimento rigoroso dos procedimentos de segurança.


Equipamentos como câmeras, biometria, reconhecimento facial e portões automatizados são importantes, mas não substituem uma equipe treinada e preparada para agir corretamente.


Na maioria das vezes, o sucesso desses golpes depende apenas de uma oportunidade ou de alguém disposto a "abrir uma exceção".

Por isso, investir em treinamento, padronizar procedimentos e conscientizar moradores e funcionários é a forma mais eficiente de reduzir riscos e preservar a segurança de todos.



HARCO Síndicos ProfissionaisSérie Especial – Os golpes mais comuns em condomínios🌐 www.harcosindicos.com.br


 
 
 

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