top of page

Série Harco – Condomínios Sem Fronteiras | LinkedHybrid: o condomínio de Pequim que conecta torrespelo céu e utiliza o subsolo para climatização

há 3 dias
6 min de leitura

Em Pequim, na China, um conjunto residencial transformou duas áreas normalmente pouco exploradas pelos edifícios: o espaço entre as torres e o terreno abaixo delas. Acima do solo, passarelas suspensas conectam prédios e recebem espaços de convivência. No subsolo, centenas de poços ajudam a aquecer e resfriar as instalações.



O Linked Hybrid mostra como arquitetura, engenharia e sustentabilidade podem se complementar — e por que soluções inovadoras exigem uma administração condominial preparada. Uma cidade dentro de outra cidade Projetado pelo escritório Steven Holl Architects, com participação do arquiteto Li Hu, o Linked Hybrid foi concluído em 2009, em Pequim.


O complexo de uso misto possui aproximadamente 220 mil metros quadrados de área construída e reúne oito torres residenciais, além de instalações de hotelaria, comércio, educação e entretenimento.


No mesmo ano, recebeu do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH) o prêmio de melhor edifício alto do mundo. A proposta contraria a ideia de torres que funcionam como unidades isoladas. No térreo, caminhos e jardins conectam equipamentos comunitários e atividades comerciais; nos pavimentos superiores, uma rede de passagens interliga diferentes prédios.


O deslocamento deixa de acontecer apenas pelo elevador e passa a ocorrer também entre as torres, como em ruas elevadas. O projeto foi concebido para aproximar o empreendimento da cidade e favorecer encontros entre moradores e visitantes. Essa abertura, porém, impõe uma questão decisiva à gestão: como promover convivência sem comprometer a segurança e a privacidade das residências?


A resposta passa por uma clara distinção entre espaços acessíveis ao público, setores comerciais e áreas privativas. Passarelas suspensas: circulação, lazer e engenharia A imagem mais marcante do Linked Hybrid é formada por oito passarelas elevadas, chamadas skybridges, distribuídas em níveis superiores, chegando à região do 18º pavimento. Elas criam um circuito entre as torres e se conectam à estrutura hoteleira. Em vez de corredores destinados apenas à passagem, foram concebidas para incorporar atividades como academia, piscina, cafeteria, exposições e convivência.


Assim, determinados equipamentos coletivos podem ser distribuídos ao longo do conjunto, sem ficarem concentrados no térreo. Essa solução requer engenharia especializada. Segundo a revista Architectural Record, as passarelas de aço e vidro têm vãos aproximados de 20 a 60 metros; foram montadas no solo e depois içadas até suas posições. O desafio não está somente no peso das estruturas.


Edifícios altos se movimentam levemente pela ação do vento e das variações de temperatura, e podem apresentar deslocamentos maiores em eventos sísmicos. Para permitir movimentos relativos entre as torres, as passarelas receberam apoios móveis com elementos de rolamento.


Em vez de obrigar os edifícios conectados a se comportarem como um único bloco rígido, esses dispositivos permitem acomodar determinados deslocamentos previstos no projeto. Em uma região sujeita a riscos sísmicos, essa capacidade é fundamental. Para a administração, as passarelas são muito mais que uma atração arquitetônica. Seus apoios, juntas, estruturas metálicas, fachadas envidraçadas, vedações e sistemas de drenagem exigem inspeções especializadas.


Uma intervenção incorreta pode prejudicar mecanismos concebidos para permitir movimento; um reparo em altura demanda procedimentos que protejam tanto os usuários das passagens quanto quem circula abaixo delas. O segredo que está a cerca de 100 metros de profundidade Uma das principais inovações ambientais do Linked Hybrid fica escondida: o sistema de climatização que utiliza a troca de calor com o terreno.


A documentação oficial do Steven Holl Architects informa a execução de 655 poços com cerca de 100 metros de profundidade; uma publicação anterior do próprio escritório menciona 660 poços. A diferença entre as fontes não altera o princípio da solução: centenas de perfurações formam um campo subterrâneo para apoiar o aquecimento e o resfriamento do complexo.


A ideia é aproveitar a relativa estabilidade térmica do subsolo. Ao contrário do ar, cuja temperatura varia intensamente entre o inverno e o verão, o terreno em profundidade sofre oscilações sazonais menores. Isso o torna um meio favorável para realizar trocas de calor com os sistemas de climatização.


No inverno, o calor é transferido para o edifício Em sistemas geotérmicos desse tipo, um fluido circula por tubulações subterrâneas e troca calor com o solo. Uma bomba de calor, alimentada por energia elétrica, eleva a temperatura útil e transfere essa energia para o sistema de aquecimento. Não significa que o subsolo forneça água naturalmente quente o suficiente para os apartamentos: o equipamento termodinâmico é indispensável para alcançar as condições desejadas.


No verão, o processo se inverte O calor é retirado dos ambientes internos e transferido, por meio do circuito de climatização, para o terreno, que funciona como meio receptor dessa energia. A operação lembra a de um ar-condicionado, mas aproveita o solo como parte da troca térmica, em lugar de depender exclusivamente do ar externo.


A solução pode tornar a climatização mais eficiente, conforme o projeto e as condições de operação. Isso não significa energia gratuita ou conta de luz zerada. Bombas, compressores e controles continuam consumindo eletricidade. O ganho está em transferir calor com maior eficiência.


A descrição acima corresponde ao princípio geral das bombas de calor geotérmicas; as fontes públicas do Linked Hybrid confirmam o uso dos poços para climatização, mas não detalham todos os componentes do circuito instalado. A grande quantidade de poços atende à escala do empreendimento. A profundidade permite alcançar um meio com menor variação de temperatura, enquanto a distribuição de diversas perfurações amplia a capacidade de troca térmica.


O projeto também emprega soluções de aquecimento e resfriamento radiante nas lajes, além de equipamentos complementares para situações de maior demanda. Sistemas sustentáveis também precisam de manutenção A infraestrutura geotérmica demonstra como um investimento ambiental pode criar novas responsabilidades de gestão. A localização dos poços, os trajetos das tubulações, os pontos de conexão e as características dos equipamentos precisam constar de documentação técnica preservada e acessível aos responsáveis pela manutenção.


Também é importante acompanhar pressão, vazão, temperaturas de funcionamento e consumo elétrico. Uma perda de eficiência pode ocorrer sem que os moradores percebam uma falha imediata: o conforto térmico continua, mas a despesa de energia aumenta. Escavações, novas fundações e obras subterrâneas, por sua vez, devem considerar a rede enterrada para evitar danos difíceis de reparar.


Mesmo quando partes do circuito subterrâneo têm longa vida útil, bombas, válvulas, sensores e controles exigem inspeções, substituições e recursos financeiros. Sustentabilidade, portanto, não dispensa manutenção; ela depende de operação competente ao longo dos anos. Reúso de água e outras estratégias ambientais


O Linked Hybrid também incorporou uma proposta de reaproveitamento de águas cinzas — efluentes provenientes de usos domésticos específicos, segregados e tratados para finalidades não potáveis compatíveis. Conforme informações divulgadas pelo escritório responsável em 2009, o sistema foi concebido para reutilizar aproximadamente 220 mil litros de água por dia, com redução estimada de 41% no consumo de água potável.


Esses dados são projeções divulgadas para o empreendimento, não medições atuais comprovadas. O projeto inclui ainda um espelho d’água central, associado à paisagem e à retenção de água. Para a gestão, essas soluções exigem tratamento adequado, controle da qualidade, separação das redes potáveis e não potáveis, limpeza e conservação dos equipamentos.


O benefício ambiental só se sustenta quando a operação preserva a finalidade e a segurança dos sistemas. O desafio de administrar um condomínio conectado A integração de residências, comércio, hotelaria e áreas de lazer exige regras claras. É preciso definir horários, limites de acesso, circulação de visitantes e responsabilidades por serviços e equipamentos compartilhados.


Uma cafeteria, uma academia e uma passagem residencial têm rotinas distintas e não devem receber tratamento operacional idêntico. A segurança contra incêndio também precisa considerar a circulação entre edificações. Usuários podem estar em uma passarela suspensa ou em um espaço coletivo longe da torre em que residem. Por isso, sinalização, identificação de acessos, treinamento das equipes e manutenção dos equipamentos de emergência devem respeitar os projetos aprovados.


A existência de uma ponte entre torres não significa, por si só, que ela seja uma rota autorizada de abandono. O caráter aberto do empreendimento apresenta outro desafio: conciliar a proposta de integração urbana com controle e privacidade. A Architectural Record já apontava, em 2010, que restrições de acesso e dificuldades de ocupação comercial poderiam diminuir o uso público pretendido no projeto.


É uma lembrança importante: a qualidade de um espaço não depende apenas de sua construção, mas também de como ele é utilizado e administrado. O que os condomínios brasileiros podem aprender? O Linked Hybrid não é um modelo que precise ser reproduzido literalmente. Seu ensinamento está na forma de pensar o patrimônio coletivo: projetar espaços para aproximar pessoas; integrar soluções de eficiência energética à infraestrutura; e prever, desde o início, como serão operadas e mantidas.


Para os condomínios brasileiros, a experiência reforça cinco prioridades: conservar os projetos e manuais técnicos; monitorar o desempenho de equipamentos; planejar a manutenção preventiva; conciliar convivência com segurança; e incluir no orçamento os custos de todo o ciclo de vida das instalações, e não apenas as despesas mensais. Acima da superfície, o Linked Hybrid conecta torres e pessoas.


Abaixo dela, aproveita o terreno para melhorar o desempenho térmico. Entre essas duas soluções está a responsabilidade da administração: fazer com que a inovação continue funcionando durante décadas. Afinal, um projeto extraordinário só permanece extraordinário quando encontra uma gestão à sua altura.


Fontes consultadas

• Steven Holl Architects — Beijing Linked Hybrid: projeto, composição do conjunto e campo geotérmico.

• Steven Holl Architects — comunicado sobre prêmio CTBUH de 2009: reconhecimento e estratégias ambientais divulgadas.

• Architectural Record — Linked Hybrid (2010): estrutura das passarelas, sistemas técnicos e desafios de uso.

• ArchDaily — Linked Hybrid / Steven Holl Architects: programa e concepção arquitetônica. • Departamento de Energia dos EUA — Geothermal Heat Pumps: princípios gerais das bombas de calor geotérmicas

 
 
 

Comentários


HARCO SÍNDICOS

SEU CONDOMÍNIO. NOSSO MUNDO.

Menu

Telefone

Email

cellphone.png

21 2235-3863

cellphone.png

21 98364-8997

whatsapp.png

21 98859-9644

  • Youtube
  • Instagram
  • Facebook
  • Linkedin

©2020-2026 por Harco Síndicos - Síndico Profissional

bottom of page