Crônicas - Tudo Acontece na Cobertura 01
- Karine Prisco
- 26 de jan.
- 3 min de leitura
Por Karine Prisco
Artigo publicado na Revista dos Condomínios

Tudo acontece na cobertura 01 U m belo dia, em uma assembleia da qual você não gostaria de estar, os condôminos discutiam so bre a proibição e as medidas contra locações por temporada no condomínio.
A gota d’água foi a úl tima festa de arromba que ocorreu na cobertura 01, onde mais uma vez a polícia foi ao prédio para con ter a agitação dos hóspedes que faziam parte de uma extensa agenda de reservas, digna de um hotel.
Afinal, trata-se de uma cobertura de luxo com vista para o mar em Copacabana, que possui seis quartos, com varanda grande, piscina, churrasqueira, toda mobiliada, anuncia da em diversas plataformas para locação de curta temporada por, em média, R$ 600,00 a diária. Desta vez, os hóspedes educadíssimos ligaram o som no máximo e decidiram urinar pela sacada da varanda durante a festa, sem nenhum pudor.
Enquanto a festança acontecia, os moradores dos prédios vizinhos estavam em peso em suas janelas para olhar o que estava acontecendo. E assim, enquanto uns se divertem, choviam ligações, mensagens e vídeos no celular da síndica, que, sem ter culpa alguma, atendeu o telefone na madrugada de sá bado disposta a ajudar e cumprir sua função, mas aca bou sendo xingada por alguns moradores irritados com o barulho.
Afinal, já não era o primeiro caso na cobertura 01, existia uma gigantesca coleção de situações formalizadas com reclamações dos outros moradores por excesso de barulho em festas, objetos dos mais variados tipos e tamanhos que eram jogados constantemente pelos hóspedes da cobertura e que caíam nas varandas dos apartamentos de baixo, pelos danos nos portões causados por hóspedes que esqueceram as chaves e resolveram forçar o portão para entrar no prédio, pelos hóspedes que resolveram andar nus pelo prédio, entre outras situações.
Ou seja, no “dossiê” da unidade se somavam casos e tentativas de contatos com o proprietário, notificações, advertências e multas. Ressaltando que o proprietário pagava todas as multas do condomínio e não sofria nenhum prejuízo, visto que ele repassava para os hóspedes. O proprietário da unidade sequer apareceu na assembleia, o que terminou causando um alvoroço ainda maior entre os moradores, que ficaram furiosos com o descaso.
Eis que, após muitas discussões em assembleia, os condôminos, que, apesar de concordarem com todos os argumentos do advogado do condomínio de que o proprietário da cobertura poderia ser processa do, e esse tipo de locação limitada, proibida, concluíram que a Justiça é muito lenta e que não valia a pena gastar dinheiro com ação para esperar anos para ter um resul ado (!?). 48
Enfim, apesar de todo o esforço da síndica, que, ouvin do a reclamação dos moradores, aplica todas as multas possíveis e imagináveis e ainda leva o assunto à assem bleia para solução definitiva, tudo continua na mesma: infrações, multas, discussões, raves, objetos voadores, ligações na madrugada para a síndica e menos noites de sono para os moradores...
Mas pelo menos o condo mínio não gastará um real a mais, Por fim, à espera de um milagre, nada pode ser feito, pois cabe ao síndico cumprir a determinação da assembleia. Com isso, a saga continua na cobertura 01, pois se está em um condomí nio onde os condôminos se importam mais em econo mizar do que em zelar pelo sossego deles mesmos. E boa noite para todos!!! Karine Prisco é administradora, síndica profissional




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